Noivo cadeirante emociona ao dançar valsa com esposa em cerimônia de casamento

Publicado em 23/01/2019 às 10h17

Casar-se é um sonho na vida de incontáveis pessoas que acreditam no amor e numa alma gêmea. Poder compartilhar a alegria e o amor da união entre duas pessoas com amigos e familiares é um privilégio que merece ser apreciado momento a momento.

E assim foi o casamento de Cinthia Zanuni, de 33 anos, e Hugo Rohling, de 38. Eles oficializaram a união no início do ano e emocionaram os convidados presentes com uma linda valsa de casamento, logo após Hugo, que é cadeirante, se levantar com o auxílio do pai e do seu irmão para bailar com Cinthia.

O vídeo que capturou esse momento viralizou na internet, comovendo centenas de milhares de internautas.

Cinthia e Hugo se conheceram em 2017, com a ajuda de um aplicativo de relacionamento. Nessa época, Hugo já era paraplégico há três anos, devido a um traumático acidente de moto na Estrada do Manso, no Mato Grosso.

Os noivos contam que até antes da cerimônia de casamento, não haviam conseguido se abraçar “como as outras pessoas”.

“O Hugo não consegue me abraçar como todo mundo, de pé, de corpo inteiro. Aí um dia ele falou para mim ‘a minha visão de vida é outra, eu vejo tudo de baixo. Eu queria tanto ver nosso casamento de cima, como todo mundo’”, disse Cinthia.

Cinthia começou a maquinar numa maneira de deixar Hugo em pé, de modo que ele pudesse sentir tudo aquilo que as outras pessoas da festa estivessem sentindo, e com a ajuda de sua irmã e seu cunhado – que são coreógrafos de casamento, – tudo conspirou para dar certo.

Eles então começaram a ensaiar os movimentos de dança dois dias antes da cerimônia. Os ensaios eram carregados de incertezas e emoções, pois eles não sabiam se realmente a empreitada funcionaria. “Por ele ficar muito tempo sentado, ele tem muitos espasmos, a perna dele dobra e não fica reta”, diz Cinthia.

O casamento foi planejado pensando numa locomoção facilitada e em uma maior autonomia de Hugo para transitar pelo salão.

“A gente não tinha dinheiro para fazer o casamento daquele jeito, tivemos parceiros que contribuíram e que tinham a curiosidade de saber como era o casamento de um cadeirante”, relembra Cinthia.

Do encontro para o casamento

O casal se conheceu em um popular aplicativo de relacionamento – entre muitas conversas, flertes e curtidas nas fotos um do outro, o fato de Hugo ser cadeirante não foi um empecilho, muito pelo contrário.

Segundo Cinthia, a tensão e o receio que a rondavam no início do namoro hoje é tratada sempre com bom humor. “Ele lida com isso de um jeito tão leve que foi leve para mim também”.

Durante a festa de casamento da irmã de Cinthia, em abril do ano passado, Hugo a pediu em casamento, após alguns meses de namoro.

Os noivos atualmente trabalham junto. Ela é maquiadora profissional e viaja Brasil (e mundo) afora para dar cursos e palestras. Ele é o homem por trás da gestão administrativa, financeira e demais burocracias da empresa, além de fazer o atendimento de alunos e alunas. “Se não fosse assim, a gente não conseguiria ficar junto. Teve mês que fiquei só quatro dias em Cuiabá”, finalizou.

Adaptações e Desafios

Muito além da parceria profissional e amorosa, Cinthia e Hugo são parceiros nos momentos ruins e nas situações desagradáveis, onde apoiam um ao outro.

“Eu lembro que a gente entrou em uma loja e fui olhar umas camisas. Eu ouvi ele falando ‘para, eu não quero!’, quando fui ver a mulher estava empurrando a cadeira dele no provador. Ela queria estender um lençol para ele se trocar na frente de todo mundo”, relata.

O casal sempre questiona e discute a acessibilidade de cadeirantes e a representatividade em geral de pessoas com deficiência nos estabelecimentos que frequentam.

“Em qual marca você vê um cadeirante no catálogo? Em qual desfile você vê o cadeirante entrando? Não tem!”, desabafa Cinthia.

Até para encontrar roupas compatíveis para Hugo foi um desafio, inclusive no casamento.

 

Seu terno foi confeccionado sob medida, em vista de que o tecido do paletó não enrolasse nas rodas da cadeira e que também fosse confortável enquanto ele se movimentasse.

Entre diversas situações desconfortantes, como a falta de preparo e infraestrutura de locais que não disponibilizam qualquer acessibilidade para cadeirantes, até a lua de mel do casal ficou comprometida.

Hugo afirma que teve dificuldade para encontrar hotéis e passeios em pontos turísticos, pois os organizadores de estabelecimentos e expedições muitas vezes não se importam com clientes que possuem necessidades especiais. Ao final, a bandeira da acessibilidade é sempre levantada por eles.

“Nunca é para mim, eu sou o que menos precisa de tudo isso. Quem precisa dessa acessibilidade são os idosos, mulheres grávidas, mãe que tem filhos pequenos com algum tipo de lesão, é uma luta para todas essas pessoas”, diz Hugo.

Veja o vídeo:

 

Fonte: Razões para Acreditar

Categoria: Opinião
Tags: Cadeirante, Dança, noivos

Comentários

Paula em 23/01/2019 13:29:37
Sem palavras ou melhor amor resume tudo!

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