'Com mais informações, talvez o sofrimento fosse menor', diz parente de desaparecidos em Brumadinho

Publicado em 28/01/2019 às 09h23

Familiares de pessoas desaparecidas na tragédia de Brumadinho se apoiam em amigos para suportar a dor, ao mesmo tempo em que se revoltam com a falta de informações

Brumadinho – Nas ruas do distrito de Tejuco, em Brumadinho, na Grande BH, há sempre um braço para amparar, um abraço para acolher e uma palavra ou duas, sempre abafadas pela dor, para dar forças a um amigo. No mais, são os olhos do espanto, o andar a esmo ou o choro convulsivo pela falta de informações ou notícias dos desaparecidos na tragédia, ocorrida no início da tarde de sexta-feira, do rompimento da Barragem da Mina do Córrego do Feijão, empreendimento da Vale. “Estou segurando minha mãe, ela está desesperada, saiu andando por aí, entrou no mato e fui atrás”, disse, ontem, Mary Cristina Nunes, de 32 anos, que também não esconde a apreensão pelo desaparecimento do irmão Peterson Firmino Nunes, de 35, casado e pai de três filhos. A exemplo de muitos moradores de Tejuco, Peterson trabalhava na unidade da empresa, com atuação no almoxarifado.

REVOLTA Por medida de segurança, as estradas que conduzem à sede municipal de Brumadinho estão fechadas, com autorização de passagem apenas para polícia, militares, bombeiros brigadistas e autoridades. Por isso mesmo, a atendente de telemarketing Gisele Pedrelina Duarte Santana Loures, de 22, fica sentada no gramado perto da Faculdade Asa, onde foi montado um quartel-general para centralizar ações e dar informações à imprensa, aguardando qualquer notícia sobre o pai Sebastião Divino Loures, de 58, motorista que havia ido à mina fazer uma entrega, no caminhão.

“Estou sem notícias, ninguém me informa nada, o que aumenta o desespero. Já estive até no Instituto Médico Legal, em Belo Horizonte, mas não consegui nada”, disse Gisele, ao lado do marido, Valdeci Loures Bonfim Júnior, e dos primos Adriano Gomes, Leandro Gomes e José Sidnei. Vestida com uma camisa com a estampa de São Miguel Arcanjo, Gisele diz que é católica e, como tem pessoas de outra religião na família, “todos nós estamos orando”. O celular de Sebastião pode ajudar nas buscas pelo motorista desaparecido desde o início da tarde de sexta-feira em Brumadinho. “A última vez que falei com meu pai foi às 11h53. Mas o telefone continua tocando, está com bateria, acho que podem rastrear.” Revoltada com a situação que a deixa em sobressalto, Gisele pergunta: “Quero saber quanto a vida do meu pai vai valer”.

 

Fonte: www.em.com.br

 

Categoria: Minas Gerais
Tags: Barragem, Brumadinho, Vale

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