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Tecnologia "blindará" mosquito contra dengue em teste de cidades com até 1,5 milhão de habitantes

Publicado em 16/04/2019 às 08h56

Foto: Alexandre Penido / ASCOM MS

O método Wolbachia, já aplicado no Rio de Janeiro, será levado às cidades de Campo Grande (MS), Petrolina (PE) e Belo Horizonte (MG). Medida reduz doenças transmitidas pelo Aedes aegypti

Três cidades brasileiras irão realizar a etapa final do método “Wolbachia” para o combate ao mosquito Aedes aegypti, antes da sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). A nova fase do projeto World Mosquito Program Brasil (WMPBrasil) da Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde será testado nos municípios de Campo Grande (MS), Belo Horizonte (BH) e Petrolina (PE). Para isso, a pasta vai destinar R$ 22 milhões. A metodologia é inovadora, autossustentável e complementar às demais ações de prevenção ao mosquito. Consiste na liberação do Aedes com o microrganismo Wolbachia na natureza, reduzindo sua capacidade de transmissão de doenças.

O anúncio da etapa final de avaliação da Wolbachia, nos três municípios, foi feito pelo ministro da Saúde, Henrique Mandetta, nesta segunda-feira, (15), durante a abertura do evento “Atualização em Manejo Clínico da Dengue e febre do chikungunya e no controle vetorial do Aedes aegypti”, em Campo Grande (MS).  O evento tem como objetivo capacitar médicos, enfermeiros, coordenadores e supervisores de Controle de Vetores dos 79 municípios do estado de Mato Grosso do Sul em relação à técnica de manejo, controle do mosquito e operação de campo.

Ao fazer o lançamento, em Campo Grande, o ministro da Saúde reforçou que a estratégia de combate ao mosquito Aedes continua sendo responsabilidade de todos. “Essa é uma estratégia complementar. Governo e população precisam continuar fazendo sua parte. No âmbito da pesquisa, hoje estamos dando um importante passo. Tínhamos duas linhas de trabalho, sendo uma voltada ao controle do mosquito com o uso de inseticidas, e outra direcionada ao controle biológico, que é o caso do uso da Wolbachia. Essa última pesquisa foi muito bem em todas as etapas, desde a parte teórica até o ensaio clínico em laboratório, e no teste em cidades de pequeno porte. E agora, vamos testar em cidades acima de 1,5 milhão de habitantes”, disse o ministro Henrique Mandetta.

De acordo com o ministro, as três cidades, onde serão trabalhadas a última fase, vão servir de base para verificar a eficácia da metodologia nas regiões do Centro-Oeste, a partir de Campo Grande; Nordeste, por meio de Petrolina; e Sudeste, a partir da experiência em Belo Horizonte. “Em breve, devemos fazer em outras cidades, para colhermos os frutos com o desenvolvimento. Isso vai envolver trabalho da assistência, com o acompanhamento do número de casos; de entomologistas, para saber a prevalência do mosquito; com agentes comunitários de Saúde; e por meio de armadilhas colocadas a campo”, explicou o ministro.

A última fase de teste, agora em cidades com mais de 1,5 mil habitantes, com o mosquito Aedes aegypti infectados com Wolbachia, terá início, em Campo Grande, Belo Horizonte e Petrolina, no segundo semestre de 2019 e tenha uma duração de cerca de três anos. O método é seguro para as pessoas e para o ambiente, pois a Wolbachia vive apenas dentro das células dos insetos. No caso do município de Belo Horizonte, o Ministério da Saúde apoiará a realização de Ensaio Clínico Randomizado Controlado (em inglês Randomized Controlled Trial, RCT) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e apoio do National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID).

A medida é complementar e ajuda a proteger a região das doenças propagadas pelos mosquitos, uma vez que o Aedes aegypti com Wolbachia - que têm a capacidade reduzida de transmitir dengue, Zika, chikungunya – ao serem soltos na natureza se reproduzem com os mosquitos de campo e geram Aedes aegypti com as mesmas características, tornando o método autossustentável. Esta iniciativa não usa qualquer tipo de modificação genética.

As liberações de mosquitos são precedidas por uma série de ações educativas e de comunicação, com o objetivo de informar a população sobre o método Wolbachia. Esta etapa tem o apoio e a participação de parceiros do WMP no território, como lideranças comunitárias e associações de moradores, unidades de saúde, escolas e organizações não-governamentais.

A Wolbachia é um microrganismo presente em cerca de 60% dos insetos na natureza, mas ausente no Aedes aegypti. Uma vez inserida artificialmente em ovos de Aedes aegypti, a capacidade do Aedes transmitir o vírus da zika, Chikungunya e Febre Amarela fica reduzida. Com a liberação de mosquitos com a Wolbachia, a tendência é que esses mosquitos se tornem predominante e diminua o número de casos associado a essas doenças nos três municípios.

INVESTIMENTOS

Desde 2011, o Ministério da Saúde em parceria com a Fundação Bill & Melinda Gates e National Institutes of Health já investiram no método Wolbachia R$ 31,5 milhões. As primeiras liberações dos mosquitos contendo Aedes aegypti com wolbachia no Brasil ocorreram em 2015 nos bairros de Jurujuba em Niterói e Tubiacanga na Ilha do Governador ambos no estado do Rio de Janeiro.

Em 2016 a ação foi ampliada em larga escala em Niterói e em 2017 no município do Rio de Janeiro. Atualmente o WMP Brasil atende 29 bairros na cidade do Rio de Janeiro e 28 bairros de Niterói. No total, já são 1,3 milhão de pessoas beneficiadas no estado com o método Wolbachia. Além do Brasil, também desenvolvem ações do programa países como: Austrália, Colômbia, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Vietnã, e as ilhas do oceano pacífico Fiji, Kiribati e Vanuatu.

AÇÕES DE COMBATE AO MOSQUITO

As ações de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti são permanentes e tratadas como prioridade pelo Governo Federal. Todas as ações são gerenciadas e monitoradas pela Sala Nacional de coordenação e Controle para enfrentamento do Aedes, que atua em conjunto com outros órgãos. A Sala Nacional articula com as 2.166 Salas Estaduais e Municipais as ações de mobilização e também monitora os ciclos de visita a imóveis urbanos no Brasil, que são vistoriados pelos agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.

O Ministério da Saúde também oferece continuamente aos estados e municípios apoio técnico e fornecimento de insumos, como larvicidas para o combate ao vetor, além de veículos para realizar os fumacês, e testes diagnósticos, sempre que solicitado pelos gestores locais. Para o diagnóstico das doenças zika e chikungunya, e também dengue, todos os laboratórios do país estão abastecidos com o teste em Biologia Molecular. Também são investidos recursos em ações de comunicação, como campanhas publicitárias e divulgação nas redes sociais, junto à população.

Para estas ações, a pasta tem garantido orçamento crescente aos estados e municípios. Os recursos para as ações de Vigilância em Saúde, incluindo o combate ao Aedes aegypti, cresceram nos últimos anos, passando de R$ 924,1 milhões, em 2010, para R$ 1,73 bilhão em 2018. Este recurso é destinado à vigilância das doenças transmissíveis, entre elas denguezika e chikungunya e é repassado mensalmente a estados e municípios.

Por Alexandre Penido, da Agência Saúde 

Categoria: Brasil, Geral
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Biotecnologia pode evitar a extinção da banana

Publicado em 28/03/2019 às 08h55

 

Evolução do fungo fusarium oxysporum, que devastou culturas de banana décadas atrás, ameaça o alimento mais uma vez

A produção de banana é distribuída por todo o território nacional, somando quase 7 milhões de toneladas em 2018. A principal região produtora é o Nordeste, com 38% da safra nacional, seguida pelo Sudeste, com 28%. Os dados são do relatório Cenário Hortifruti Brasil, lançado recentemente pelo programa Hortifruti Saber & Saúde, CNA e ABRAFRUTAS. No entanto, apesar da grande produção, cientistas acreditam que o alimento pode estar próximo de sua extinção e essa não é a primeira vez.

O motivo tem a ver com a forma de plantação da fruta, que é realizada por meio de clones de uma única planta mãe, que gera bananas geneticamente iguais e, portanto, suscetíveis às mesmas doenças. Uma, em especial, preocupa os produtores do alimento: a causada pelo o fungo fusarium oxysporum, que está presente no solo e age impedindo que o vegetal retire água e nutrientes da terra, levando-o à morte.

Na década de 1890, no Panamá, a doença causada pelo fungo foi identificada pela primeira vez e por isso ficou conhecida como "Mal do Panamá". Em 1950, os produtores de bananas da variedade Gros Michel perderam a guerra contra o fungo, que não foi eliminado por nenhum fungicida ou defensivo químico, permanecendo no solo. Naquela época, ele já tinha se alastrado por todo o planeta e já não existia área viável para as plantações da fruta.

A variedade Cavendish (aqui chamada de banana nanica ou d'água), por sua vez, era cultivada na propriedade de um palácio na Inglaterra e, por ser geneticamente diferente da banana Gros Michel, foi capaz de resistir ao "Mal do Panamá". Hoje, apesar de existirem algumas variedades diferentes, como a "maçã" e a "prata" (plantadas no Brasil e suscetíveis ao Mal do Panamá), a Cavendish é a mais produzida e comercializada pelo mundo.

No entanto, ela corre perigo, pois o fusarium oxysporum evoluiu ao longo dos anos e agora ameaça também as plantações dessa variedade. "Assim como aconteceu com a variedade Gros Michel no passado, as plantações de Cavendish não apresentam nenhuma resistência contra o novo fusarium oxysporum, pois a forma de produção de banana não mudou", esclarece Adriana Brondani, diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).

O novo fungo é ainda mais agressivo e foi descoberto na década 1990, no sul da Ásia. Hoje, ele já é encontrado na Austrália e países do norte da Ásia, como a China, um dos maiores produtores de banana no mundo. Mais de 10 mil hectares de plantações de banana Cavendish já foram destruídos no país.

Para que a extinção da banana não ocorra é necessário impedir o avanço da doença, através de medidas de controle de exportação/importação. Cientistas também trabalham com o objetivo de encontrar ou desenvolver uma nova variedade que seja resistente ao fungo e que agrade o paladar da população mundial. Entretanto, por conta da forma com que a banana sempre foi cultivada, encontrar variedades geneticamente diferentes é raro. Por isso, talvez seja necessário recorrer a genes de resistência em outras espécies.

Segundo Adriana, a biotecnologia pode ajudar a aumentar a variabilidade genética da banana por meio do desenvolvimento de plantas geneticamente modificadas. "A transgenia é uma ferramenta poderosa para a preservação da biodiversidade. Por meio dela, podemos identificar e transferir genes que permitiriam a sobrevivência de espécies em condições antes inviáveis. Se essa espécie for a banana, estaria aí uma chance superar os riscos que rondam a cultura", afirma.

 

Sobre o CIB
O Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), criado no Brasil em 2001, é uma organização não governamental, cuja missão é atuar na difusão de informações técnico-científicas sobre biotecnologia e suas aplicações. Na Internet, você pode nos conhecer melhor por meio do site www.cib.org.br e de nossos perfis no Facebook, no LinkedIn e noYouTube.

 

 

Categoria: Dicas, Geral
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Elevação da temperatura nos últimos anos deve impactar clima de 2019, como a ocorrência de chuvas irregulares

Publicado em 23/03/2019 às 09h29

Pesquisadores trabalham no monitoramento de eventos climáticos a fim de aplicar melhor essas informações na atividade agrícola

 A ocorrência de eventos climáticos extremos, como fortes temporais, ondas de calor ou frio intenso e o aumento do período de estiagem tem desafiado os agricultores brasileiros nos últimos anos. Ás vésperas do Dia Mundial da Meteorologia, celebrado neste sábado, 23 de março, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), alerta que a tendência neste ano de 2019 é de que se repitam irregularidades climáticas. “Quando as temperaturas estão mais elevadas como está acontecendo, isso provoca maior instabilidade na atmosfera. E, consequentemente, faz com que haja fenômenos meteorológicos mais intensos”, alerta Francisco de Assis, diretor do instituto.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), os anos de 2015, 2016, 2017 e 2018 foram os mais quentes registrados até hoje. O relatório mais recente da organização mostra ainda que, no ano passado, a temperatura média global foi 1°C acima da base pré-industrial (1850-1900). “Devido à dimensão territorial, o Brasil também sofre essas variações de padrões atmosféricos, o que muda o comportamento climático e faz com que haja alta irregularidade na precipitação em determinadas regiões do país. As estiagens que aconteciam normalmente de 10 a 15 dias estão mais prolongadas e mais frequentes”, explica Assis.

O diretor acrescenta que as regiões mais afetadas são produtoras de grãos como o Sul, Sudeste, o norte de Minas Gerais, Espírito Santo e parte da Bahia. Ele lembra que este ano já ocorreu estiagem no Paraná, no Mato Grosso do Sul, no norte de Minas, afetando parte de Goiás e do Distrito Federal.
“A agricultura tem aplicado muito o desenvolvimento tecnológico, novas variedades (de culturas), mais resistentes às condições das variações e às estiagens mais prolongadas. Mesmo assim, tem sido muito afetada”, ressalta.

Agrometeorologia

A forte dependência das práticas agrícolas, como plantio, adubação, irrigação, colheita, em relação às condições de tempo tem aumentado a demanda pela utilização de dados climáticos para a produção agropecuária. Estas informações servem para na tomada de decisão das propriedades rurais e podem evitar perdas na produção de alimentos.

Em fevereiro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) instituiu um grupo de trabalho de agrometeorologia para fazer diagnóstico dos serviços de meteorologia agrícola do Governo Federal. O grupo é formado por representantes do Mapa, Inmet, Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA), Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Federação Nacional de Seguros Gerais e Federação Nacional das Empresas de Resseguros. o prazo final para apresentar todas as propostas é 7 de maio.

As informações meteorológicas e climatológicas compõem as políticas agrícolas como o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), Seguro da Agricultura Familiar (Seaf), Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), Garantia Safra (GS) e Zoneamento Agrícola de Risco Climáticos (Zarc), que oferecem ao produtor a possibilidade de mitigar riscos das perdas decorrentes de intempéries climáticas adversas.

Parcerias

Uma das regiões brasileiras que tem apresentado forte demanda por informações climáticas é o oeste da Bahia, grande produtora de grãos e fibras. Sob predomínio do cerrado semiárido, a região é muito vulnerável a condições de tempo consideradas limitantes. Para melhorar a percepção sobre as implicações das alterações climáticas na produção agrícola no estado, a Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa) e a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) firmaram parceria com a Embrapa Territorial.

O objetivo é desenvolver uma plataforma com dados agroclimáticos gerados em tempo real que auxilie os agricultores da região a terem acesso antecipado a fatores climáticos que interferem no plantio, pulverização e colheita. A expectativa é facilitar as decisões dos agricultores e reduzir custos do processo produtivo. Os dados captados das estações meteorológicas serão disponibilizados para os usuários em portal e aplicativo de celular.

“Uma vez que estes produtos estejam funcionando adequadamente no oeste da Bahia, a intenção é expandir para outras áreas. A gente espera que em médio prazo consiga colocar todos esses produtos on line para o Brasil inteiro”, afirmou Paulo Barroso, supervisor do grupo de monitoramento estratégico da Embrapa Territorial.

Segundo o engenheiro agrônomo, os produtores rurais poderão acessar as informações sobre condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das principais doenças que atingem as plantações de soja e algodão, como a ferrugem asiática e a mancha de ramulária, respectivamente.

Outro tipo de informação que ficará disponível na plataforma é o índice de evapotranspiração do local para apoiar a análise da necessidade de irrigação de diferentes culturas, entre outros dados meteorológicos. “Nós vamos disponibilizar também estimativas de biomassa, que podem ser utilizadas como parâmetro para saber o nível de desenvolvimento da lavoura e comparar com anos anteriores”, completou Barroso.

Outras unidades da Embrapa também desenvolvem pesquisas para encontrar soluções a problemas enfrentados pela agricultura e instrumentos de análise de risco climático. A Embrapa Informática Agropecuária desenvolveu um sistema de monitoramento agrometeorológico, o Agritempo. A base de dados do sistema é formada a partir da articulação entre uma rede física de sensores que enviam dados para uma rede de tecnologia de informação e comunicação e outra rede de instituições e especialistas que compartilham informações.

Sisdagro

Atualmente, o Inmet também oferece a agricultores, engenheiros agrônomos e outros profissionais que atuam no campo serviços e aplicativos de consulta às informações meteorológicas, como o AgromaisClima e o Sisdagro (Sistema de Suporte à Decisão Agropecuária).

O Sisdagro (link) permite acesso às condições agrometeorológicas registrados até a data da consulta e dos próximos cinco dias. Pelo sistema, os produtores acessam ferramentas com informações sobre balanço hídrico e perda de produtividade, índice de vegetação, alerta sobre a ocorrência de geada, possibilitando a análise das datas mais propícias para preparo do solo, plantio e colheita e da necessidade de irrigação.

“Isso vem crescendo no país. Há uma discussão bastante forte, inclusive com a criação do grupo de trabalho pelo Ministério da Agricultura, para que se tenha cada vez mais informações e produtos para o agricultor ter maior capacidade de gerenciar danos causados por eventos climáticos e melhor gerenciamento do processo produtivo”, ressaltou Barroso.

Para o especialista, a perspectiva é de que no curto prazo o país tenha uma variedade maior de recursos com informações meteorológicas desenvolvidos por várias instituições, inclusive privadas. “O Brasil acordou para a importância da agrometeorologia para gerenciamento das atividades agrícolas das diferentes áreas”.

O Sol, a Terra e o Tempo

O Dia Mundial da Meteorologia foi instituído pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 1961, com o objetivo de reforçar o propósito dos serviços meteorológicos em monitorar o clima e entregar diariamente previsões do tempo e aconselhar gestores de políticas públicas.

O tema escolhido pela ONU deste ano é “O Sol, a Terra e o Tempo”. A organização ressalta que o sol é fonte primária de energia para a vida na Terra e que rege o tempo, as correntes oceânicas e o ciclo hidrológico. Segundo o diretor do Inmet, que representa a OMM no Brasil, a escolha deste tema tem o objetivo de estimular o aproveitamento do sol como fonte de energia, inclusive nas atividades rurais.

“ A energia fotovoltaica pode ser cada vez mais aproveitada na terra como um todo, principalmente nas regiões tropicais. Aqui no Brasil praticamente tudo é região tropical e há uma incidência muito grande de radiação e de energia solar. Então, há um potencial solar a ser aproveitado”, comenta Assis.

O Inmet celebrará a data na próxima segunda-feira (25), com palestra sobre variabilidade climática do pesquisador Luiz Carlos Baldicero Molion. O evento ocorrerá, às 10h, no auditório Adalberto Serra, no campus do Inmet, em Brasília, com a presença do Secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa, Fernando Camargo.

Categoria: Geral
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22 de março – Dia Mundial da Água

Publicado em 22/03/2019 às 09h48

O Dia Mundial da Água foi instituído pela ONU em 22 de março de 1992 e visa à conscientização da população a respeito dessa valiosa substância.

Categoria: Geral, Mundo
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Antes de cair na folia, proteja sua casa contra o mosquito Aedes aegypti

Publicado em 01/03/2019 às 15h00

Foliões devem ficar atentos para não viajar e deixar sua casa aos cuidados do mosquito. O mesmo alerta vale para as pessoas que forem curtir o feriado em casa

Se você vai viajar durante o carnaval, não esqueça de deixar sua casa protegida da proliferação do mosquito Aedes aegypti.  A recomendação também é para quem optar por ficar em casa. Até o dia 02 de fevereiro, o país já notificou 54.777 casos de dengue, um aumento de 149% em relação ao mesmo período no ano passado. O alerta é do Ministério da Saúde, que tem intensificado as ações de comunicação para chamar a atenção da população e dos gestores públicos em relação às formas de prevenção, sintomas e tratamento da dengue, zika e chikungunya, doenças transmitidas pelo Aedes.

O ciclo de reprodução do Aedes aegypti, do ovo à forma adulta, pode levar de 5 a 10 dias. Por isso, mesmo em uma viagem curta, é preciso estar atento. Um balde esquecido no quintal ou um pratinho de planta na varanda do apartamento, após uma chuva, podem facilmente se tornar um foco do mosquito e afetar toda a vizinhança. É possível eliminar o mosquito por meio de medidas simples, como substituir a água dos pratos dos vasos de planta por areia; deixar a caixa d´água tampada; cobrir os grandes reservatórios de água, como as piscinas, e remover do ambiente todo material que possa acumular água (garrafas pet, latas e pneus).

A população também deve ficar atenta aos destinos onde vão passar o carnaval, e verificar quais cuidados devem ser tomados, como uso de repelentes e de roupas claras. As áreas com muita vegetação, por exemplo, estão propícias a ter grande circulação de mosquitos. Esse período do ano, que coincide com o verão, é propicio para maior transmissão devido aos fatores climáticos. Esses cuidados servem também para as pessoas que vão passar o feriadão em casa.

Neste ano, 13 estados brasileiros apontaram dados alarmantes em relação ao aumento do número de casos de dengue: Rio de Janeiro, Acre, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Tocantins, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal. Para auxiliar a população que reside nesses estados e os turistas que vão em busca dos principais destinos de Carnaval, a pasta deu início a segunda etapa da campanha de combate ao Aedes aegypti, tendo como foco os sintomas das doenças transmitidas pelo mosquito. Entre os canais utilizados estão as redes sociais, TV aberta, rádios, carro de som, rodoviárias, metrô, ônibus e aeroportos.

A atual campanha publicitária do Ministério da Saúde traz o slogan "O perigo é para todos. O combate também. Faça sua parte. Com ações simples podemos combater o mosquito". A campanha ressalta que a união de todos, governo e população, é a melhor forma de derrotar o mosquito, e que a vigilância deve ser constante. 

SINTOMAS

Se você apresentar febre acompanhada de dor atrás dos olhos e na barriga, náuseas, coceira, dor de cabeça, manchas vermelhas na pele ou dores nas articulações, procure uma unidade de saúde. Você pode estar com dengue, chikungunya ou zika. O Ministério da Saúde alerta que muitas doenças têm sintomas parecidos, então é importante ficar atento aos primeiros sinais e procurar rapidamente uma unidade de saúde.

PROTEÇÃO CONTRA O AEDES AEGYPTI

Não importa se você mora em casa ou apartamento, o mosquito Aedes aegypti pode encontrar um recipiente com água parada para depositar os ovos e se reproduzir. São suficientes 15 minutos por semana para fazer a vistoria em toda casa e eliminar todos os possíveis focos do mosquito.

É importante ficar atento também com a área externa de casa e condomínios, além das piscinas durante esse período. Deve-se manter piscinas e áreas de hidromassagem cobertas e manutenção periódica. Limpe ralos e canaletas externas. Deixe lonas usadas para cobrir objetos bem esticadas, para evitar formação de poças d’água. Atenção com plantas que podem acumular água, como bromélia e babosa.

Por Alexandre Penido, da Agência Saúde

Categoria: Geral
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Produtores de café orgânico de Divino buscam aprimorar gestão com ajuda do Senar

Publicado em 21/02/2019 às 17h54

“Sempre fui agricultor, sobrevivendo da atividade rural. Sempre busquei a sustentabilidade na propriedade, mas faltava a visão do negócio”. Para suprir essa demanda do cafeicultor Gilberto Ferreira Correa e de outros produtores de café orgânico de Divino, o Senar Minas está oferecendo o programa Gestão com Qualidade em Campo (GQC) até maio.

O interesse pelo programa partiu dos participantes, que estavam em busca de melhorar a gestão e buscaram o apoio do Senar Minas após terem boas referências do GQC. “Com o curso espero aprender a me organizar melhor para compreender e colocar em prática todas as etapas de uma empresa rural, para garantir qualidade de vida para a minha família”, explicou Gilberto.

Ele começou a trabalhar com a cafeicultura orgânica em 2016. A propriedade de 1,58 hectares fica na comunidade Vargem Grande, sendo que a área destinada ao café é de 0,59 hectares, com 1.300 pés. “A cafeicultura orgânica ainda é novidade no município e, apesar de todos os cursos e reuniões que participamos, a prática ainda se mostra com desafios inesperados”, comentou.

O programa busca ampliar a visão empresarial com investimento em gestão. Para isso, ensina o participante a planejar e a colocar em prática ações que permitam reduzir custos e buscar eficiência na condução do negócio. Desenvolvido em módulos, as aulas são expositivas e há consultorias nas propriedades rurais.


O Sindicato de Produtores Rurais de Divino é parceiro do Senar Minas neste programa. Para a mobilizadora Viviane Souza Cunha, responsável pela formação da turma, a expectativa é que o grupo veja a importância da gestão nos seus negócios. “E, assim, passem a registrar dados, fazer cálculos e planejar ações dentro de um sistema sustentável em harmonia com o meio ambiente”, acrescentou.

Até maio deste ano, os 20 produtores serão estimulados a mudar de atitude - de agricultor para empresário rural, com a orientação do instrutor Jair Monte. Ao final do programa, os alunos terão conhecimento para eliminar desperdícios, agregar valor nas atividades da fazenda, melhorar a qualidade dos processos e do produto e capacidade de utilizar indicadores para tomar decisões.

Além de produtores rurais de Divino, o programa também irá beneficiar cafeicultores de Espera Feliz a partir desta semana, dessa vez em parceria com o Sindicato de Produtores Rurais de Espera Feliz.

Categoria: Geral, Região
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Controle biológico em hortas urbanas: Uma proteção sustentável

Publicado em 21/02/2019 às 17h44

Atualmente, a produção de hortaliças em grandes cidades está aumentando. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo busca fomentar esta prática por meio do Instituto Biológico, trazendo dicas de como tornar as hortas caseiras mais sustentáveis, utilizando inimigos naturais em vez de defensivos agrícolas.

Predadores, parasitoides, nematoides, bactérias e fungos entomopatogênicos são inimigos naturais que protegem as plantações das pragas e doenças. O controle biológico, uma técnica do Manejo Integrado de Pragas (MIP), utiliza esses inimigos para manter o equilíbrio natural, tornando a plantação mais saudável.

"O controle biológico é o componente de maior importância do MIP", menciona o pesquisador Mário Sato, que trabalha no Centro Avançado de Pesquisa em Proteção de Plantas e Saúde Animal do Instituto.

O controle das pragas ocorre naturalmente, em muitos casos não há necessidade da aplicação de inseticidas e acaricidas, pois causam desequilíbrio ao plantio. "O produtor tem de trabalhar para manter o equilíbrio do ambiente, ou seja, não aplicar qualquer produto, fazer uma boa adubação e uma irrigação adequada, para não ter uma infestação elevada de pragas, que pode causar injúrias à cultura", explica Sato.

Em cultivos de hortaliças, a presença de insetos (pragas) é comum e o número de inimigos naturais é baixo. Nesse caso, a introdução de predadores, parasitoides ou nematoides, é necessária para o controle biológico ser efetivo.

Diversos inimigos naturais, como ácaros predadores, já são comercializados e são fáceis de serem utilizados, pois quando liberados no campo se dispersam por conta própria. Já o defensivo agrícola necessidade de pulverização, por toda a horta. Entretanto, "existe a possibilidade de o controle biológico ser associado ao controle químico, mas tem que haver cuidado ao aplicar a técnica, pois o defensivo pode prejudicar o inimigo natural", afirma o agrônomo.

Funciona assim: quando existe praga, o inimigo natural controla e à medida que as pragas vão diminuindo, ele simplesmente vai embora, - não existe risco do inimigo se tornar praga. "Na maioria dos casos, o produtor precisa reintroduzi-los em sua plantação, pois em cultivos de hortaliças há uma troca frequente de cultivares", finaliza Mário Sato.

Dicas

* Utilizar um solo sem contaminantes.

* Se possível, esterilizar o solo antes de plantar (solarização).

* Comprar mudas sadias.

* Não exagerar na adubação.

* Irrigar corretamente.

Observação:

Uma adubação exagerada, com irrigação inadequada (excesso ou falta de água), causa estresse às plantas. Isso favorece a criação de pragas e doenças.

Categoria: Geral
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Selo Artesanal está sendo regulamentado

Publicado em 19/02/2019 às 16h54

Identificação servirá para garantir comercialização entre os estados de alimentos de origem animal produzidos de forma artesanal
Brasília (19/02/2019) - As secretarias de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação (SDI) e da Defesa Agropecuária (SDA) trabalham em conjunto com outros órgãos de governo e entidades na regulamentação de um selo que será criado para identificar alimentos artesanais. O assunto foi discutido nesta semana durante a II Reunião do Grupo de Trabalho de regulamentação do Selo Arte, que irá identificar e autorizar a comercialização interestadual de alimentos de origem animal produzidos de forma artesanal.

O secretário adjunto de Inovação, Pedro Corrêa Neto, disse que a regulamentação do Selo atende demanda dos produtores rurais e que “será uma ferramenta importante na agregação de valor”. Além disso, afirmou que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento optou por regulamentar questões gerais por meio de Decreto e que os assuntos específicos para as cadeias serão tratados em normativas específicas.

O secretário adjunto de Defesa, Fernando Mendes, afirmou que o Mapa é parceiro na criação para garantir a inocuidade, sanidade, qualidade e identidade desses produtos. Afirmou também que o fortalecimento da interface com órgãos estatuais de defesa é uma das prioridades da nova gestão, “fundamental para o Sistema Unificação de Atenção a Sanidade Agropecuária (Suasa)”.

O principal foco da reunião foi a elaboração da minuta de decreto, para regulamentar a Lei º 13.680/2018, que trata da fiscalização de produtos de origem animal produzidos de forma artesanal. Na primeira reunião do GT, que ocorreu em dezembro, foi discutido o que é um alimento artesanal, os requisitos para que seja considerado artesanal e aspectos voltados à segurança sanitária, pontos fundamentais para a diferenciação no mercado.

A regulamentação do Selo Arte visa dar ao consumidor segurança de que o processo de produção é realizado de forma artesanal, que respeita características e métodos tradicionais ou regionais próprios, que atende às boas práticas agropecuárias e de fabricação e que tem segurança sanitária.

A reunião teve a participação de técnicos do Mapa, das Câmaras Temáticas, Embrapa, Anvisa, Sebrae, Fórum Nacional dos Executores da Sanidade Agropecuária (Fonesa), Seagri/DF, Abraleite, Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Conselho Federal de Medicina Veterinária e Contag.

Categoria: Brasil, Geral
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Estudo analisa 50 anos de comércio de aves na Amazônia

Publicado em 21/01/2019 às 09h20

Após décadas de exploração intensiva e declínios maciços em muitas populações de aves, em 1967, o Brasil tornou-se o primeiro país da América do Sul a proibir a venda comercial de animais silvestres

A África do Sul foi o maior exportador mundial de papagaios sul-americanos entre 2000 e 2013, depois que os países da Amazônia "abandonaram a possibilidade de produzir e exportar legalmente e competitivamente sua vida selvagem". Isso é o que revela um novo estudo sobre comércio de aves da América Latina produzido pela TRAFFIC com apoio do WWF.

"Bird's-eye view: Lessons from 50 years of bird trade regulation & conservation in Amazon countries" (ou em tradução livre - Vista Aérea: Lições dos 50 anos de regulamentação e conservação do comércio de aves nos países da Amazônia), oferece um panorama sobre o comércio de aves no Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname e as ameaças à conservação representada pelo excessivo comércio internacional de espécies.

Historicamente, as aves eram comercializadas em grandes quantidades na região nos primeiros anos do século XX. Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, por exemplo, um único comerciante londrino importou 400 mil beija-flores e 360 mil outras aves do Brasil. Em 1932, cerca de 25 mil beija-flores foram caçados no Estado do Pará e enviados para a Itália para enfeitar caixas de chocolate. Centenas de milhares de aves vivas foram depois exportadas como animais de estimação em toda a América do Sul após meados da década de 1950, depois que as conexões das companhias aéreas comerciais, principalmente através de Miami, estavam regularmente disponíveis.

Após décadas de exploração intensiva e declínios maciços em muitas populações de aves, em 1967, o Brasil tornou-se o primeiro país da América do Sul a proibir, por lei, o comércio de animais silvestres, colocando ênfase na criação em cativeiro como alternativa de conservação.

Nas décadas seguintes, centenas de milhares de aves foram capturadas para abastecer o comércio internacional, muitas delas "lavadas" por canais legais na Argentina, Bolívia e Paraguai. Na década de 1980, estima-se que tenham sido capturadas até 10 mil araras-azuis (Anodorhynchus hyacinthinus), muitas delas terminando em criadouros em cativeiro. Como resultado, as Filipinas tornaram-se o principal exportador mundial de araras-azuis, enquanto a população selvagem da espécie está se recuperando no Brasil graças a intensas ações de conservação.

Apesar da suspensão da exploração comercial, para muitas espécies, a recuperação tem sido dificultada por novos cenários de degradação, poluição ou perda do habitat natural. A degradação ambiental - nos habitats terrestres e aquáticos, é a maior ameaça para a maioria das espécies, que tenha sido afetada anteriormente por exploração comercial ou não.

O biólogo e analista de conservação do WWF-Brasil, Felipe Feliciani, destaca o papel inovador do Brasil ao proibir, em 1967, a captura e o comércio de animais silvestres. "O tráfico de animais é um triste exemplo de como o combate à ilegalidade ambiental ainda deve ser uma batalha constante no Brasil, com recursos e apoio para preservar a magnífica fauna brasileira".

Atualmente, um importante incentivo econômico para a conservação de aves no Brasil, no Equador e na Colômbia é o turismo de observação de aves. O Peru também está se promovendo ativamente como um destino de observação de aves, mas ao lado de Guiana e Suriname, o país também permite a exportação de aves capturadas em meio selvagem de cerca de 101 espécies, todas relativamente comuns.

Embora as proibições tenham resultado no desaparecimento de pássaros à venda nas ruas de muitos países da América do Sul, grande parte do comércio foi para a clandestinidade. O Peru, enquanto receptor e fonte de espécies de aves silvestres de e para seus vizinhos, é o maior desafio regional. Além disso, o Brasil continua a ter um sério problema com o comércio interno de pássaros, apesar dos esforços rigorosos de aplicação da lei.

Em média entre 30 e 35 mil aves são confiscadas anualmente, um número que não variou significativamente nos últimos 15 anos. Muitas dessas aves são destinadas a "competições de canto de pássaros", onde os espectadores apostam dinheiro nos resultados de quantas músicas ou frases um pássaro cantará em um determinado período de tempo.

No geral, o estudo constata que o comércio ilegal internacional de aves sul-americanas foi reduzido ao seu nível mais baixo em décadas, embora isso seja "principalmente porque as espécies de aves mais procuradas pelos colecionadores já existem na maioria dos países consumidores".

No entanto, a redução substancial na maioria dos mercados urbanos sul-americanos que anteriormente constituíam grandes centros de comércio de aves é uma grande conquista nas últimas décadas. Milhões de aves foram poupadas quando esses mercados locais entraram em colapso, uma realidade ainda distante de no contexto do Sudeste Asiático.

"As complexidades do comércio de aves têm sido subestimadas: para garantir um futuro para as espécies cada vez mais ameaçadas da região, precisamos de estratégias integradas que busquem urgentemente impedir ou reverter a destruição de habitats e melhorar a fiscalização, complementados com incentivos econômicos para a geração local de renda através do turismo e uso sustentável dos recursos naturais. Isso oferece o melhor caminho para a notável avifauna da América do Sul" conclui o especialista Ortiz-von Halle, autor do estudo.

Sobre o WWF

O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza, com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. Criado em 1996, o WWF-Brasil desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede mundial independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.
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Gorilas-das-montanhas emergem da extinção em grande vitória da conservação

Publicado em 21/01/2019 às 09h08

Uma década atrás, haviam apenas 680 gorilas-das-montanhas vivendo na selva.

Hoje, há mais de 1.000 graças aos esforços de conservação de grupos de defesa dos animais, uma recuperação histórica para as espécies de reprodução lenta, de acordo com a União Internacional de Cientistas Preocupados (IUCN).

Ainda assim, os gorilas ainda são considerados ” levemente ameaçados”, não estando fora da faixa de extinção (ainda), mas com uma melhora de status, antes considerado “criticamente ameaçado” no catálogo da entidade, status considerado muito próximo da extinção definitiva de uma espécie.

“Estamos mais próximos de alcançarmos populações saudáveis ​​e estáveis ​​de gorilas-das-montanhas, graças ao compromisso extraordinário de tantas pessoas dedicadas”, disse Bas Huijbregts, gerente de espécies africanas do World Wildlife Fund US, em um comunicado. “Dito isto, os gorilas-das-montanhas continuam em perigo e dependem de esforços de conservação constantes.”

“A boa notícia é que esses esforços estão funcionando”, acrescentou ele. “O foco contínuo no envolvimento da comunidade, na prevenção da transmissão de doenças e no cumprimento da lei pode dar aos gorilas-das-montanhas uma chance maior de sobrevivência. Esses esforços são um exemplo brilhante para muitas outras espécies que precisam de uma ação global de conservação.”

Os gorilas-das-montanhas restantes do mundo vivem em áreas protegidas na República Democrática do Congo, Ruanda e Uganda.

Eles geralmente viajam em grupos compostos de um macho, três fêmeas e quatro a cinco descendentes, e sobrevivem de frutas, cascas de árvores, polpas, brotos e afins, de acordo com a National Geographic.

Seu declínio começou no início do século 20, quando os gorilas foram catalogados como espécie. Sua descoberta científica inaugurou o que se tornou um ataque implacável de “caça descontrolada, guerra, doenças, destruição de seu habitat florestal e captura para o comércio ilegal de animais de estimação”, segundo o WWF .

Como muitos animais, a população de gorilas-das-montanhas despencou em uma relação inversa com a de seres humanos, que só aumentou com o passar do tempo.

Conforme os seres humanos desmatam as florestas, transformando-as em áreas agricultáveis, o habitat dos gorilas diminuem.

Balas perdidas e outros projéteis também ferem os animais em épocas de conflito, como guerras civis, e o aumento de incêndios florestais causados ​​pelo homem prejudicam ainda mais a população primata. Por fim, os seres humanos também os expõem a novas doenças, que causaram graves prejuízos à população.

Depois que a comunidade científica e local notaram que os gorilas estavam próximos de desaparecer para sempre, os esforços começaram a restaurar a população.

Santuários foram instalados para os gorilas andarem sem interferência humana, campanhas policiais reduziram a caça furtiva e veterinários foram enviados para cuidar dos animais em uma base contínua, de acordo com a Associated Press.

“No contexto das extinções de populações selvagens ao redor do mundo, este é um notável sucesso de conservação”, disse Tara Stoinski, presidente e cientista-chefe do Dian Fossey Gorilla Fund.

“Este é um farol de esperança pois conseguimos aumentar a população primata em um país recentemente devastado pela guerra e ainda muito pobre”, disse Stoinski, que também é membro do grupo de especialistas em primatas da IUCN, que recomendou a mudança de status.

Outra causa da recuperação tem sido o ecoturismo sustentável, um modelo que pode ser replicado para outros animais e outras nações ao redor do mundo. Em vez de remover habitats naturais dos animais, os governos podem criar negócios turísticos prósperos que mantenham a integridade desses habitats.

“O ecoturismo dos primatas, feito corretamente, pode ser uma força realmente significativa para financiar a conservação”, disse Russ Mittermeier, diretor de conservação da Global Wildlife Conservation, à AP. “Isso dá aos governos e comunidades locais um incentivo econômico tangível para proteger esses habitats e espécies.”

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Fonte: Global Citizen

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