Alunas ensinam porteiro da escola e ele passa na faculdade em Vitória (ES)

Publicado em 10/04/2019 às 08h05

Com a ajuda de alunos e professores de uma escola onde o porteiro Ozeilto Barbosa de Oliveira trabalha, ele pôde voltar a estudar e entrar na faculdade, após mais de duas décadas sem estudar.

O porteiro de 43 anos fez o pré-vestibular e o Enem em 2018, e com a ajuda dos estudantes e docentes do Centro Educacional Charles Darwin, em Jardim da Penha, Vitória (ES), conseguiu ingressar na faculdade, onde vai fazer o curso de Enfermagem. Ozeilto obteve uma bolsa de 100% pelo Programa Universidade para Todos (ProUni). Admitido pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ele foi chamado para iniciar o curso no segundo semestre deste ano. “Eu fiquei muito feliz, vou realizar meu sonho e dar uma vida mais digna para minha família”.

Ozeilto também havia sido chamado por uma faculdade particular de Vila Velha, mas sem condições de pagar a mensalidade, não chegou a fazer a matrícula no curso.

O recém-ingressante em enfermagem trabalha na portaria do Centro Educacional Charles Darwin há quase uma década, onde recebeu da equipe de professores o convite para voltar à estudar. “Uma secretária da escola chegou para mim e falou: “Ozeilto, que tal você voltar a estudar?” Eu falei logo que não, mas ela insistiu e me apresentou o EJA (Educação de Jovens e Adultos)”, explicou.

Ele só havia chegado ao quarto ano do ensino fundamental, mas no ano passado terminou o ensino médio e fez pré-vestibular no Centro à noite, com bolsa integral. “A convivência com os alunos e o ambiente escolar despertaram em mim a vontade de estudar”. No intervalo entre as aulas, ele se encontrava com os alunos para tirar dúvidas em algumas questões.

As alunas Débora Lopes, 19, Bárbara Rocha, 20, e Ramona Uliana, 21, estiveram por perto de Ozeilto durante todo o tempo de preparação até a prova do Enem. Elas passaram a apelidá-lo carinhosamente de “Ozê”.

Ozê parou de estudar aos 16 anos quando se tornou pai pela primeira vez, na Bahia. Mudou-se para o Espírito Santo alguns anos depois em busca de uma oportunidade de emprego, e agora tem três filhos e dois netos. “Logo que cheguei aqui, catei até latinha e não tenho vergonha de falar. Tenho orgulho da minha história, eu sou um sonhador”.

As alunas que ajudaram Ozê a se formar e entrar na faculdade contaram um pouco sobre o porteiro. “É uma inspiração para nós, sempre estava com um sorriso no rosto”, disse Ramona Uliana. “Eu lembro de ter o ajudado em Matemática”, contou Débora Lopes. A jovem afirma que o porteiro sempre foi muito curioso e interessado. “A gente via ele todo dia com a apostila na mão lendo ou fazendo exercícios”.

O trio deseja fazer Medicina e acham que a área da saúde também combina com Ozê. “Ele é afetivo, olha para cada um de forma individual e cumprimenta os alunos pelo nome. A gente reclama por pouco, somos privilegiadas por estudar na juventude. Ele só conseguiu agora”, revelou Bárbara Rocha.

Fonte: Razões para Acreditar

Categoria: Geral
Tags: Faculdade, Porteiro

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