• Professor Elias Santos

Menina de Caxias celebra recomeço após ser salva por doação de medula do irmão



Os laços entre Alicia Carolinne Tabares, 7 anos, e Natanael Adalberto Tabares, 10 anos, só se tornaram mais fortes após o transplante de medula que eles se submeteram no ano passado.

Alicia que lutava contra uma leucemia linfóide aguda (LLA) desde 2015, recebeu a doação de medula óssea do irmão, em julho de 2019.

Desde então, eles que já eram unidos, se tornaram inseparáveis. Depois de quase 1 ano no processo de recuperação do transplante, Alicia já começa a retomar a sua rotina e uma das coisas que mais vem fazendo ultimamente é brincar com o irmão.

Depois de todos estes anos, de tudo que ela passou, este período do transplante, com certeza, foi o mais difícil, mas também o mais vitorioso”,comenta Patrícia Ribeiro Moura, mãe de Alicia e Natanael.


Tratamento


O transplante de Alicia foi realizado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS). Após a cirugia, a menina ainda precisou passar por algumas sessões de quimioterapia e radioterapia, o que fez com que ela ficasse internada por 40 dias.

Em setembro de 2019 ela retornou para casa, mas em outubro, voltou para o hospital devido algumas complicações que surgiram. Ela pegou uma bactéria e teve um problema de pele que ocasionou novas internações.

Ela ficou muito abatida, perdeu peso, chorava bastante e ficava até transtornada, não queria falar com ninguém. Agora, aos poucos, está melhorando”, relembra Patrícia.

Após retornar para casa, Alicia precisou ficar em isolamento até abril desse ano. Só que devido a pandemia, esse prazo foi prorrogado, visto que ela está em grupo de alto risco para o coronavírus.

No aniversário dela, que estava programado para ser uma grande festa, Alicia teve que se contentar com uma festa mais íntima. “Comprei um bolinho, fiz uma decoração, porque ela sempre dizia que queria uma festa de aniversário. Nunca conseguimos fazer, ou por ela estar doente, ou por não termos condições, mas ano que vem sai do jeito que ela sonhou, com certeza”, contou a mãe.


Rotina



Já Natanael voltou para a sua rotina mais rapidamente. Só que como estamos com tudo parado pela pandemia, o menino tem tido mais tempo em casa para brincar com a irmã. Patrícia conta que tem percebido que os laços entre os dois está ainda maior.

Eles brincam o dia inteiro, adoram ficar juntos e agora até brigam mais, mas isso porque estão muito parecidos. Dizem que quando a pessoa recebe a medula acaba pegando características do doador”, explica Patricia.

Natanael diz que também se sente mais próximo da irmã e que tem muita coisa parecida com ela. Ele diz que já completou a frase da irmã algumas vezes.

A minha mana é a minha mana, sou bem amigo dela, um não vive sem o outro, é muito chato quando ela fica longe de mim”, completa Natanael.

Mesmo com toda a rotina cheia de bons momentos, Patrícia conta que às vezes se pega pensando nos dias difíceis que passou. Ela diz que Alicia entende tudo de uma forma muito melhor e compreende a doença que teve.

A mãe conta que ela ainda se emociona muito quando encontra uma foto da menina careca, sorrindo e abraçada pelo irmão, que foi capa de muitas matérias na época.



Doações sempre foram importantes


Para que todo o tratamento de Alicia acontecesse, a ajuda de amigos e desconhecidos foi essencial. Através de uma campanha pela internet, eles conseguiram arrecadar R$ 13.750,00, além de um auxílio prestado pela Domus — Associação de Amparo à Criança e ao Adolescente com Câncer da Serra Gaúcha.

Esse valor, segundo Patrícia, foi muito importante para que a família conseguisse manter os custos de deslocamento, medicamentos e o que fosse preciso cobrir no tratamento. O que sobrou do dinheiro ainda deu para reformar uma parede mofada da casa deles.

A gente agradece muito a todas as pessoas que nos ajudaram no momento em que ela mais precisou”, diz Patrícia.

Mesmo com ajuda recebida, a família ainda arca com algumas despesas, como os exames que acompanham as reações do transplante, para conter possibilidade de rejeição do corpo. Esse exame precisa ser feito a cada 2 meses e custa R$ 975.

Infelizmente o tratamento de Alicia não é coberto pelo SUS ou plano de saúde particular. Isso moveu Patrícia a fazer uma nova campanha virtual e ela pede ajuda! As doações vão até agosto e quem quiser contribuir pode entrar em contato com ela no WhatsApp (54) 9238-2826.


FONTE:O Pioneiro